autoavaliação reflexiva

Onde o seu valor está apoiado?

Existe uma diferença entre gostar de si mesmo e depender de alguma coisa para gostar de si mesmo. A primeira é uma temperatura. A segunda é uma estrutura: aquilo que precisa estar de pé para que a temperatura se mantenha.

Esta ferramenta não mede o quanto você se acha bom o suficiente. Ela mede outra coisa: de que o seu senso de valor está pendurado — o quanto ele sobe e desce conforme os resultados de áreas específicas da sua vida.

São coisas independentes, e dá para ter as duas ao mesmo tempo. Uma pessoa pode ter autoestima alta e estável na maior parte do tempo e, ainda assim, ter um valor altamente condicionado: basta um resultado ruim naquele domínio específico para tudo ceder de uma vez. A pergunta aqui não é "você se acha suficiente?", é "suficiente em quê — e o que acontece com você quando falha justamente ali?"

São 24 afirmações, distribuídas em seis áreas da vida, em blocos de quatro. Leva cerca de quatro minutos. No fim, você recebe um mapa de onde o seu valor parece estar mais condicionado hoje — não uma nota, não um diagnóstico.

leia o texto que deu origem a esta ferramenta
Instrumento reflexivo, para autoconhecimento e uso psicoeducacional, adaptado livremente a partir dos construtos descritos por Crocker et al. (2003). Não é a aplicação da escala original, não é um instrumento validado em português e não substitui avaliação psicológica. Não existe resultado certo ou errado — só um retrato de como as coisas parecem organizadas neste momento.
bloco 1 de 6
Para cada frase, marque o quanto ela descreve você de um tempo para cá. O ponto do meio serve para o que depende do dia — não é uma resposta em branco.

O seu mapa, hoje

A linha pontilhada é a sua própria média. O que importa aqui não é a altura das barras, é a diferença entre elas: onde o seu valor está mais condicionado em relação a você mesmo(a).

O que fazer com isso

Ter domínios condicionados não é um defeito de caráter nem sinal de fragilidade. Quase sempre é o oposto: são áreas onde você aprendeu, em algum momento, que dar conta era o que garantia o seu lugar. A estratégia funcionou — é por isso que ela ficou.

O custo aparece depois, e costuma ser silencioso: quanto mais o valor depende de um domínio, mais assustador fica qualquer risco naquela área. É o que faz alguém competente evitar o desafio que gostaria de aceitar, ou não conseguir descansar num período que objetivamente permitiria descanso. A ansiedade que aparece aí raramente é sobre capacidade. É sobre o que estaria em jogo se desse errado.

Nada disso pede uma mudança agora. Notar de onde o chão se move já muda alguma coisa na forma como você se olha nos dias em que ele se move.

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Se algum domínio apareceu com força e isso reflete algo que já vinha custando caro, é exatamente o tipo de coisa que se trabalha em terapia — não para deixar de se importar com desempenho, aparência ou com as pessoas, mas para que o seu valor pare de ser recalculado a cada resultado.

Se essa leitura fez sentido, o texto Ansiedade de desempenho: por que ela não tem a ver com competência desenvolve a ideia por completo.
Você também pode olhar para a mesma questão por outro ângulo no Termômetro: status ou segurança.
Adaptado livremente a partir dos construtos descritos em Crocker, J., Luhtanen, R. K., Cooper, M. L., & Bouvrette, A. (2003). Contingencies of self-worth in college students: Theory and measurement. Journal of Personality and Social Psychology, 85(5), 894–908. Os domínios foram renomeados e reformulados para a realidade de adultos em alta demanda; não se trata de uma tradução nem de uma validação da escala original.